Criptomoedas em xeque?

Criptomoedas em xeque?

Criptomoedas em xeque?

A queda no valor das bitcoins começa a abalar as chamadas criptoempresas. Várias startups e plataformas ligadas às moedas virtuais anunciaram reposicionamentos e demissões nos últimos meses. Uma delas é a ConenSys.

A empresa de Nova York cria softwares baseados em blockchain – tecnologia que registra as transações feitas com criptomoedas. Em 2017, no auge do Bitcoin, a ConenSys anunciou investimentos de US$ 50 milhões em startups de soluções com blockchain.

O Bitcoin chegou a valer US$ 20 mil em dezembro do ano passado, mas de lá para cá a cotação foi ladeira abaixo.

Até agora, o Bitcoin desvalorizou 83%. O acumulado negativo de 2018 fica em torno de 75%. Novembro foi o pior mês em seis anos, com queda de 37%. Hoje, a moeda está cotada em cerca de US$ 3.350. E a derrocada carregou o mercado inteiro de criptomedas.

O setor teve perdas de 87% no período, segundo a Ernst & Young. Recentemente, a ConenSys anunciou um corte de 13% da folha de pagamento para 2019. Além disso, a empresa mudou sua política em relação às startups apoiadas, que precisarão bater metas e apresentar resultados.

Outra criptoempresa que encolheu foi a Steemit. Administradora de uma rede social alicerçada em blockchain, a Steemit paga pela produção de conteúdo aos participantes. Com a desidratação do bitcoin, foi preciso demitir 70% dos colaboradores.

Diante desse cenário, a procura de vagas nas criptoempresas também caiu. O site de recrutamento Indeed registrou um decréscimo de 3% nas buscas de oportunidades no segmento nos últimos 12 meses. A diminuição parece pequena, mas ganha relevância quando comparada a 2017, quando as buscas no setor cresceram 482%.

Em busca de segurança

Boa parte da recente expansão das criptoempresas tem a ver com as ICOs (sigla em inglês Oferta Inicial de Moeda). O modelo é semelhante ao IPO das bolsas de valores.

Na ICO, uma criptoempresa disponibiliza frações de uma nova criptomoeda ou de um novo token (chave de acesso ao blockchain) em troca de moedas já consolidadas – como Bitcoin e Ethereum.

Só que a desvalorização recente derrubou a liquidez dessas empresas. De acordo com a EY, os tokens negociados em 2017 perderam 86% do valor. A cotação de alguns caiu 100%. Por isso, várias criptoempresas estão trocando seus ativos por moedas físicas, a fim de garantir maior lastro.

É o caso da Civic. A empresa desenvolve um sistema de verificação de identidade por meio do blockchain e levantou US$ 33 milhões em seu ICO, em junho de 2017. Quase 90% desse valor já foi convertido em dinheiro offline.

Ao que parece, as próprias criptoempresas estão com um pé atrás em relação ao futuro do segmento – por mais paradoxal que pareça.

As informações são do portal Valor Econômico .

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