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4 novelas que marcaram época (Parte 2)

4 novelas que marcaram época (Parte 2)

Novelas que marcaram época

João Pedro (Marcos Palmeira) e José Inocêncio (Antônio Fagundes): o conflito central de Renascer. (Foto: Divulgação Globo)

Quem gosta de novela ficou um pouco órfão das atrações que estavam no ar quando a pandemia começou. Em razão do coronavírus, as emissoras precisaram parar as produções. A Rede Globo, por exemplo, colocou folhetins antigos para preencher o horário. O lado bom é que todo mundo gosta de lembrar de novelas que marcaram época.

E o que não faltam são grandes histórias na memória da televisão brasileira. Quem já é jovem há mais tempo deve recordar as peripécias do prefeito Odorico Paraguaçu na fictícia Sucupira. E o “cramulhãozinho” na garrafa que Tião Galinha queria cultivar? E o pânico provocado pelos ataques do misterioso Cadeirudo em Greenville?

Por isso, o Túnel do Tempo da Bem vai levar você a uma nova viagem por grandes novelas do passado. Essa é a segunda parte desse passeio. Você pode conferir o primeiro post da série clicando aqui.

O Bem Amado

“Vamos deixar dos entretanto e vamos direto pros finalmente”. Essa é apenas uma das frases que o prefeito Odorico Paraguaçu gravou no imaginário do povo brasileiro. Interpretado por Paulo Gracindo, ele era o personagem central da nova O Bem Amado. O folhetim, escrito por Dias Gomes, foi ao pela primeira vez em 1973.

A história se passava na pequena Sucupira, uma cidade fictícia no litoral baiano. O município, de certa forma, satirizava alguns dos problemas do Brasil daquela época. Tanto que, em razão das críticas sociais, a história teve 37 capítulos proibidos pela censura.

Uma das passagens mais marcantes foi a construção de um cemitério municipal. Como não havia mortos para inaugurar o serviço, Odorico contrata o matador e cangaceiro Zeca Diabo (Lima Duarte) e o nomeia delegado da cidade para resolver a situação.

Primeira novela em cores

O Bem Amado foi a primeira novela produzida em cores no Brasil e imortalizou personagens como Dirceu Borboleta, interpretado por Emiliano Queiroz, e as irmãs Cajazeiras, vividas por Ida Gomes, Dorinha Duval e Dirce Migliaccio.

Pantanal

Nos últimos anos, a Rede Record bateu recordes de audiência com tramas bíblicas. E isso é algo realmente raro, pois a maior parte das novelas que marcaram época foram produzidas pela Rede Globo. Até então, uma das poucas atrações bem-sucedidas feitas fora do Projac havia sido Pantanal, lançada pela Rede Manchete em 1990.

O sucesso de Pantanal não foi à toa. A Manchete investiu pesado e importou um time de estrelas vindo da Rede Globo. Cássia Kiss, Claudio Marzo e Nathália Timberg são alguns dos nomes que compuseram o elenco. Isso sem contar o autor e o diretor: os craques Benedito Ruy Barbosa e Jaime Monjardim, respectivamente.

Pantanal impressionava pelas belas imagens da natureza da região e por seu enredo místico, cuja personagem central era Juma Marruá. Vivida por Cristiana Oliveira, Juma era uma mulher que se transformava em onça-pintada.

Renascer

O sucesso de Pantanal selou o retorno de Benedito Ruy Barbosa à Rede Globo. Em 1993, ele escreve uma das novelas mais fantásticas daquela década. Renascer contava a história do fazendeiro de cacau José Inocêncio, interpretado por Leonardo Vieira na primeira fase e por Antônio Fagundes na segunda parte. Logo no primeiro capítulo, o personagem é atacado por bandoleiros que lhe tiram a maior parte da pele à faca. Mas ele é salvo pelo mascate Rachid (Luis Carlos Arutin), que costura toda a sua pele de volta, no meio do mato.

Filmada na região de Ilhéus, no litoral sul da Bahia, Renascer é marcada pela relação de amor e ódio entre José Inocêncio e seu filho João Pedro (Marcos Palmeira). A novela também abordou temas avançados para a época, como a transexualidade, retratada na personagem Buba (Maria Luisa Mendonça).

Realismo fantástico

O misticismo foi um dos pontos fortes de Renascer. Uma lenda da região afirmava que a riqueza de José Inocêncio se devia a um pacto feito com o diabo. Ele teria, inclusive, um pequeno demônio preso em uma garrafa.

O ingênuo catador de caranguejos Tião Galinha acredita nessa fábula. Ele passa a dedicar a vida a conseguir um “cramulhãozinho” para chamar de seu e, assim, arranjar um pedaço de terra para plantar e sustentar sua família. O trabalho de Osmar Prado na pele de Tião Galinha entrou para história como uma das mais divertidas e comoventes interpretações da televisão brasileira.

A Indomada

A relação entre José Inocêncio e João Pedro azedou de vez quando a bela Mariana entrou em cena e criou um triângulo amoroso envolvendo os dois. A interpretação colocou Adriana Esteves (a eterna Carminha, de Avenida Brasil) pela primeira vez nos holofotes. O desempenho lhe valeu uma vaga para viver a personagem central de A Indomada, outra das novelas que marcaram época, exibida em 1997.

Escrita por Aguinaldo Silva e Ricardo Linhares, a trama se passava em Greenville, uma cidade fictícia do interior de Pernambuco, construída por britânicos. Daí o fato de todos os habitantes falarem uma língua que misturava o português de sotaque nordestino com algumas palavras em inglês.

A Indomada apresentou uma das mais célebres vilãs da teledramaturgia: a intratável Maria Altiva Pedreira de Mendonça e Albuquerque, vivida por Eva Wilma. Altiva dizia ter relações muito próximas com Deus e chegou a ordenar que um raio caísse sobre a igreja para impedir a realização do casamento de uma moça da Casa de Campo, o bordel coordenado por Zenilda (Renata Sorrah)

O tarado de ancas largas

Além das maldades de Altiva, o público se divertia com o mistério envolvendo os ataques de um estranho tarado que assombrava mulheres desavisadas durante a lua cheia. Os espectadores só conseguiam vê-lo caminhando de costas, com as pernas um tanto arqueadas. Por isso, ficou conhecido como Cadeirudo. A identidade secreta do tal assediador foi revelada no último capítulo: tratava-se de Lurdes Maria (Sônia de Paula), uma beata da cidade.

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