China está em busca de startups

China está em busca de startups

A China pretende tornar-se o novo Eldorado das startups. E isso não diz respeito apenas às empresas de inovação do país. Pelo contrário: a estratégia de expansão tecnológica do gigante asiático é realizar aportes em negócios disruptivos ao redor do mundo.

Em outubro, por exemplo, o investimento de risco chinês em inovação chegou a US$ 93,8 bilhões – US$ 2,2 bilhões a mais do que o valor registado nos EUA. Os dados são da plataforma de informações financeiras Crunchbase.

A consistência dos números não é fortuita. Trata-se de uma política de estado, chamada de Plano de Desenvolvimento da Nova Geração. A ideia da China é alcançar a liderança mundial dos segmentos de Inteligência Artificial (IA) e machine learning até 2030.

Derrota dolorida

Além das questões mercadológicas, o projeto foi motivado por uma espécie de mancha na honra dos chineses. Em maio de 2017, o robô Alpha Go, do Google, venceu o melhor jogador nacional de Go – um jogo milenar de tabuleiro – durante um evento na cidade de Wuzhen.

Os fundos chineses de investimentos de risco, desde então, começaram a investir pesado em IA. Foram US$ 5 bilhões apenas em 2017, de acordo com uma pesquisa da ABI Research. O montante representou 48% dos aportes globais em startups no ano – percentual superior ao dos EUA (38%).

Ao longo do projeto, porém, a China detectou algumas carências em seu ecossistema de inovação – como a ausência de engenheiros e cientistas de dados qualificados. Daí o interesse por buscar talentos e soluções além das fronteiras.

O primeiro plano era cooptar tecnologia no Vale do Silício, mas a política protecionista de Donald Trump dificultou as ações. A mira do investimento de risco chinês, assim, passou a ser direcionada a Israel e ao sudeste asiático, dois dos maiores polos de inovação do mundo, além da Europa.

Nesse sentido, a aceleradora Xnode, de Xangai, está impulsionando startups coreanas e australianas em sua plataforma. Já a Glory Capital, também de Xangai, criou um fundo de U$ 10 milhões para negócios inovadores de fora do país.

Caminho mais curto

A China oferece diversas vantagens às startups. O principal atrativo, sem dúvida, é o tamanho do mercado – são mais de 2 bilhões de consumidores. A pretensa facilidade em alcançar escala encurtaria o tempo de ascensão das empresas.

Por lá, as startups bem-sucedidas levam em média quatro anos para chegarem ao status de unicórnio. Nos EUA, o percurso demora sete anos. Não à toa, a China tem 109 empresas de inovação avaliadas acima de US$ 1 bilhão, contra 127 dos EUA. 

Por outro lado, a inexperiência dos investidores de risco chineses em lidar com negócios fora do ambiente local e a própria maturidade do ecossistema de inovação podem ser considerados fatores de risco.

Mesmo assim, a oportunidade está aberta.

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